Tomar chá com alguém é uma experiência a três…

“’Tome mais um pouco de chá’, ofereceu a Lebre à Alice, com um ar sério.
‘Mas eu ainda não tomei nada’, replicou Alice em um tom ofendido, ‘portanto eu não posso tomar mais.’
‘Você quer dizer que não pode tomar menos’, disse o Chapeleiro, ‘é mais fácil tomar mais do que nada.

Lewis Carroll em Alice no País das Maravilhas

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Diz a história que um antigo imperador chinês bebia água morna perto das plantas no ano  2.800 a.C. Sem perceber, deixou que algumas folhas caíssem dentro da água e aí o gosto mudou, o cheiro também, a coisa ficou melhor, mais saborosa e surpreendente. Voilá! Era a descoberta do chá!

Aqui no Ocidente, em especial, a cultura do chá é recente e um tanto quanto dispersa. A primeira informação primordial para entender esse assunto é que nem tudo é chá. Na verdade, a maioria das coisas que chamamos de chá por aqui tradicionalmente não podem ser considerados assim.

O chá – chá mesmo – é uma bebida feita a partir de uma única planta, aquela mesma que caiu na água do imperador, milhares de anos atrás, a Camelia Sinensis. Ela dá origem, dependendo da forma como é manipulada, ao Chá Verde, Chá Preto, Chá Branco e outras variações. Diferente disso, as infusões são resultado da combinação de água quente com as mais diversas plantas.

Essas infusões podem ter de tudo um pouco. Ervas, raízes, flores, aromatizantes… o conteúdo muda conforme a localidade e o objetivo do chá. Sim, pois não importa o quão despretensioso seja o seu momento, sempre há um bom motivo por trás de uma xícara de chá. Pode ser o bem-estar, o relaxamento, a força para enfrentar outro dia, as propriedades medicinais ou as grandes cerimônias espirituais… no ato de extrair em água as substâncias de uma planta, há um espetáculo singelo acontecendo.

“A arte de tomar um bom chá requer sensibilidade”

A frase é de Jorge Sabongi, fundador da primeira Casa de Chá Egípcia do Brasil. Jorge defende que falar de chá é falar de poesia, afinal tudo é muito sutil e minucioso nesse universo, desde o plantio até o momento da degustação. Tanto é que para algumas pessoas, a bebida ainda leva fama de insossa, sem graça, como se todos fossem iguais. Será?

Na realidade existem hoje mais de 3.000 variedades de infusões e um mundo de possibilidades a serem criadas! Cada tempo a mais de fervura, cada folha a menos, cada flor a mais é um novo chá sendo criado. Aliás, a proposta do chá, desde seu surgimento, é marcar um momento único e insubstituível, uma experiência que envolva as pessoas por completo.

As culturas orientais – japonesa, chinesa, taiwanesa e coreana – praticam há séculos as chamadas Cerimônias do Chá. A própria natureza das cerimônias é diferente em cada um desses países. A cerimônia chinesa, por exemplo, se chama “Gongfu” e é ligada ao Zen Budismo, já a taiwanesa trabalha com o “copo de aroma”, mexendo com os sentidos.

O Caminho do Chá

Sommelier de Chás, Dani Lieuthier saiu em viagem em 2014 para beber as melhores xícaras de chá do mundo e conhecer suas origens. Nesse processo viajou por três continentes, trabalhou em plantações de Camelia Sinensis, foi treinada por mestres orientais e conheceu de perto inúmeras casas, rituais e ambientes dedicados à bebida.

“O que eu descobri foi que as pessoas desse universo amam compartilhar, elas gostam de ensinar, de passar seus conhecimentos e têm imenso respeito com essa arte milenar que é fazer um bom chá”, conta Dani. Se aprofundando no estudo e na prática do uso da Camelia Sinesis e das infusões, ela viveu experiências únicas em cada cidade pela qual passou.

Segundo ela, na Europa, por exemplo, é comum utilizar muitos aromatizantes artificiais, que mascaram o sabor da infusão, e fica até difícil saber o que se está tomando. Já por aqui, os chás são relacionados às receitas de vovó e procurados principalmente por suas propriedades medicinais e benefícios ao equilíbrio do corpo. Compreensível, afinal, além de concentrar o poder das plantas em uma pequena xícara, a bebida acalma, traz a concentração para o momento presente e exercita a sensibilidade. Uma meditação em goles.

Ainda de acordo com a Sommelier, beber uma xícara de chá é uma forma de conhecer o mundo. “É um universo muito rico, engloba todas as culturas e povos possíveis, os sabores são complexos e cada detalhe é importante, desde os ingredientes escolhidos até mesmo a intenção do preparo”, diz. Todas essas nuances fazem de cada gole uma imensidão! Por isso, beber um chá é aproveitar um momento único e insubstituível, em seus mínimos detalhes.

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Nossa dica: Um chá no seu Quintal

A proposta da Quintal é, sempre foi e continuará sendo, tirar 20 minutos de descanso, nos quais queremos que caiba toda a intensidade de uma vida. Para aproveitar melhor seus 20 minutos, nada como uma boa xícara de chá para acompanhar. Assim você saboreia essa bebida milenar, acalma o sistema nervoso e ainda potencializa os tratamentos Quintal, utilizando as plantas certas.

Para o Tratamento Antissinais: Chá oolong ou chá vermelho e infusões de gengibre, maçã, lichia.
Para o Tratamento Clareador: Chá branco e infusões de capim-limão, camomila e louro.
Para o Tratamento Antiacne: Chá Verde e infusões de alho, cravo,  canela e açafrão.
Para o Tratamento Regenerador: Chá preto e infusões de salsa, rosa mosqueta e erva-doce.

 

um-relogio_318-2022Bem mais que 20 minutos…
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musica-icone  Tiê – Chá Verde

livro
Curso de Sommelier de Chá com Dani Lieuthier

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