Para o pé, firmeza, para a mão, carícia

formação argilosa ii (1)
“Terra para o pé, firmeza, terra para a mão, carícia” 
– Caetano Veloso – Terra

A ciência acredita que o planeta Terra tenha aproximadamente 5 bilhões de anos. Nesse tempo a estrutura da terra, sujeita às intempéries ao longo dos anos, foi completamente modificada, mas uma verdade permanecia: Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.

Ainda vivemos sob o mesmo sol e pisamos na mesma terra que pisavam nossos antepassados. Cada grão aqui encontrado passou por milhares de processos químicos, físicos e geológicos para hoje fazer parte da nossa realidade em outro formato. A Terra é esse elemento tão fixo e, ao mesmo tempo, tão capaz de se transmutar e readaptar. Romper para renascer.

O solo de uma região é determinado pelos elementos que o compõe e por todas as etapas que levaram seus grãos até ali. E aí, outro renascimento começa, o solo é lugar de plantio, de colheita e, quando se trata de solos argilosos, de cura e regeneração. As argilas são as partes do solo mais compatíveis com o corpo humano e por isso tem tanta utilidade na nossa vida.

O que são as Argilas?

A geógrafa Káritta Lopes explica que todo solo é formado por três tipos de grãos que são, em ordem, do maior para o menor: Areia, silte e argila. Esses grãos estão presentes em praticamente odos os solos, em maior ou menor nível em todos os lugares. As argilas são a menor parte dessa composição e, ao mesmo tempo, a mais rica em minerais.

“Os grãos de argila tem uma propriedade bem específica que é essa capacidade de absorver elementos e alterar seu tamanho. Quando entra em contato com a água os grãos incham e viram a massa que a gente conhece, que tem plasticidade e pode ser moldada, compactada e espalhada conforme a nossa vontade”, explica Káritta.

Além disso, as argilas são ricas em minérios, que determinam sua composição, coloração e biocompatibilidade. Esses minérios vão sendo adquiridos ao logo do tempo, dependendo de onde os grãos argilosos saem e do que encontram no caminho.

“Todo grão é um fragmento de rocha, um mini pedacinho do que antes era pedra. Desde quando a Terra existe, quando começaram as primeiras erupções vulcânicas, essas rochas começaram a se deslocar, a serem levadas pelas erupções, pela água e pelo vento… no caminho foram encontrando minérios que se agruparam a elas e assim vão, até formarem as muitas argilas como conhecemos hoje”, esclarece a geóloga.

 

Visão microscópica de grãos de areia (maiores) silte (medianos) e argila (menores)

Em ordem: areia, silte e argila em visão microscópica

Os remédios mais antigos da humanidade

“E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida” Gênesis 2:7. Esse trecho bíblico aparece em algumas versões com a expressão “pó da terra” substituída por “barro” ou mesmo por “argila da terra”. Em todos os casos, faz sentido a teoria de que a própria bíblia faz referência às argilas como a matéria da vida, uma outra versão do nosso corpo.

O mais antigo documento farmacêutico conhecido data do ano de 2100 a.C. e trata-se de uma tábua feita de argila, com registros de misturas de água, plantas e minerais argilosos e suas indicações. Os povos indígenas americanos também tem utilizado a argila para a cura e para fabricação de seus instrumentos de caça e trabalho desde a antiguidade.

As argilas são utilizadas até hoje para:

  • Dores abdominais
  • Febres
  • Torções musculares
  • Dores de cabeça
  • Inflamações
  • Infecções
  • Dores reumáticas
  • Problemas intestinais
  • Cólicas
  • Intoxicações
  • Tratamentos de pele
  • Tratamentos de cabelo

Essas e outras enfermidades podem ser amenizadas ou curadas porque as argilas tem, basicamente, propriedades vitalizantes e regeneradoras, que limpam o organismo de suas doenças e equilibram o corpo de modo geral, por isso conseguem ser tão abrangentes em seu poder de cura.

Beleza natural

Os tratamentos estéticos com argila são tão eficazes justamente por não se tratarem de um disfarce ou de um adicional que é colocado sobre o corpo, mas sim uma antiga medicina natural, que restaura de dentro para fora. A argila provoca no organismo reações inexplicáveis.

“Muito do que sabemos hoje sobre as argilas e seus efeitos aprendemos com os animais, que bebiam águas cheias de minérios quando se feriam, ou tomavam grandes banhos na lama”, explica a geógrafa Karitta Lopes, “acho que ninguém sabe até hoje o porquê exato das argilas terem todos esses efeitos, mas é inegável que elas têm uma estrutura parecida com o organismo, parece que foram feitas para nós”, completa.

 

um-relogio_318-2022Bem mais que 20 minutos…
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Música: Caetano Veloso – Terra

Documentário: O Barro é dos Oleiros

 

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