Minimalismo: Tendência ou Estilo de Vida?

“Eu uso o necessário, somente o necessário,
o extraordinário é demais!”

Balu, o urso, em Mogli – O Menino Lobo

Basta uma pesquisa rápida no Google e a palavra MINIMAL – esse burburinho que vem se espalhando no mundo moderno – mostra a sua cara: foco no básico, nas formas retas e paletas de cores sóbrias. O minimalismo está no design, na moda, na decoração, na arquitetura e nos movimentos artísticos contemporâneos. Em comum, todos eles se vestem com a estética arrojada da simetria e das cores neutras.

Mas essa história de minimalismo, não começa, nem acaba no design.
O que mais o conceito tem a nos dizer?

“Estilo minimalista é diferente de estilo de vida minimalista”, explica a consultora de imagem e estilo pessoal Vivi Cardinali, que já dissociou há muito a monotonia da proposta de vida minimalista na qual se encontra atualmente. “Ser minimalista é ter o que você precisa, a grande questão é: o que você precisa?”, questiona.

Vivi trabalha com consultoria de estilo e imagem pessoal desde 2011 e durante essa trajetória pode perceber as disparidades em relação a moda e suas aplicações na vida real. Em um mercado onde o incentivo à compra e constante renovação dos guarda-roupas era o foco de muitos profissionais, passou a estudar a relação das pessoas com o consumo, a começar por si mesma.

A consultora conta que em 2013 se deparou com uma compra de mais de R$ 2.000 no lançamento de uma coleção que, de acordo com ela, foi feita por pura compulsão. “Eram roupas que não tinham nada a ver comigo, não combinavam, não tinham porque estar no meu guarda-roupas”, diz. Foi então que fez a primeira de muitas grandes limpas no armário, que desde o ano passado se mantém fixo em 50 peças.

O conceito CÁPSULA

Em 1973 a estilista Susie Faux abriu uma loja chamada “Wardrobe” (armário ou roupeiro, em tradução livre) no West End de Londres, cuja proposta era conter tudo o que o que uma mulher precisa para montar um look. Susie tornou-se referência no mundo da moda, colaborou com a ascensão de diversos talentos no ramo e tornou popular o conceito de “armário cápsula”, hoje adaptado também para “penteadeira cápsula”.

A ideia é separar poucos e fundamentais itens para serem utilizados durante uma temporada. Pode ser um mês, uma estação ou mesmo aplicável a longo prazo. Basicamente é fazer um mini guarda-roupas, versátil e adaptável às mais diversas situações, deixando o ato de se vestir mais prático e funcional.

Afinal quem nunca, mesmo frente a uma armário lotado, sentiu que não tinha roupa? Essa sensação muitas vezes é resultado de uma série de compras incalculadas e acúmulo de coisas que não conversam entre si ou mesmo não se adequam ao estilo de quem as veste.

O Paradoxo da Escolha

Curiosamente as adeptas do “armário cápsula”, após algum tempo passam a relatar experiências ao se vestir muito mais satisfatórias do que as que tinham com o triplo de roupas. “O armário cápsula colabora com a sustentabilidade, estimula a criatividade, melhora nossa autoestima. Nos vemos na obrigação de cuidar melhor do que já temos e de selecionar aquilo que realmente combina conosco, o que nos aproxima muito de nós mesmos” explica a consultora Vivi Carnaldi. Por que isso acontece?

O excesso de opções, usualmente associado a liberdade, pode, muitas vezes, gerar o efeito contrário. É o que o psicólogo Barry Schwartz, em um TED Talks em 2012, define como “O Paradoxo da Escolha”. De acordo com Schwartz “toda essa gama de escolhas tem alguns efeitos negativos nas pessoas: o primeiro deles é, paradoxalmente, produzir paralisação, ao invés de libertação, com tantas escolhas a fazer, as pessoas acham cada vez mais difícil escolher qualquer coisa. O excesso de opções causa paralisia”, explica.

Ele ainda agrega que, em um segundo momento, quando a pessoa consegue ultrapassar essa paralisia e fazer sua escolha, acaba menos satisfeita com o resultado dela, do que se tivéssemos tido menos opções a princípio. “Com tantas opções, se você faz uma escolha e ela não é perfeita – o que a maioria das coisas não é – é fácil imaginar que você fez a escolha errada e se arrepender dela”, explica.

Qual o tamanho do seu minimalismo?

No fim das contas, minimalismo é sobre prioridades. Um estilo de vida minimalista pode começar no guarda-roupas ou na penteadeira, mas reverbera para todos os aspectos da vida e, portanto, é adaptável às pessoas que escolhem vivê-lo.

“Nós encorajamos todos a olhar para a sua vida cotidiana e perceber o que é que consome a maior parte do seu tempo. É visualizar seus emails ou facebook? É assistir TV? É comprar online ou em lojas de departamento? É trabalhar muito por um contracheque que te compra coisas das quais você não precisa?” com essa provocação, Joshua Fields Millburn, responsável pelo movimento “Os Minimalistas”, convida a todos a observar a própria realidade e pensar o que está sendo priorizado nela.

Rever prioridades é pensar o que é essencial e o que é dispensável e admitir quanto disso tem tido tempo e espaço no cotidiano. O minimalismo entra em campo quando se consegue responder a difícil questão: O que é essencial para você? E ter coragem para tomar suas decisões com base na resposta.

 

um-relogio_318-2022Bem mais que 20 minutos…
dicas para você se deleitar ainda mais no assunto

 

Resultado de imagem para ícone youtube

Vivi Cardinali – Estilo com Propósito

Resultado de imagem para ícone youtube

Barry Schwartz – O Paradoxo da Escolha

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *